sexta-feira, 8 de junho de 2012

Crise na Australia



Queria ter mais tempo para falar sobre isso, mas no momento não tenho. Uma possível crise avança sobre a Austrália. No momento poucas pessoas tem sentido os efeitos desta crise que se levanta, mas acredito que no final deste ano, até o final do primeiro trimestre de 2013 ela será bastante sensível e afetará fortemente o mercado e a vida de quem vive por aqui.
Não falo isso baseado apenas nas análises do que vem acontecendo no mundo, como a crise na zona do Euro e no mercado americano, que ainda que bem menor, só será conhecida realmente após as eleições para presidente este ano. Minha opinião é baseado na experiência que tive aqui em 2008 e vejo o mesmo cenário se repetindo agora em 2012.
Em 2007 eu trabalhava como Project Manager em uma grande empresa de games aqui na Austrália. 2 meses após minha contratação nos mudamos para um escritório enorme, lindo, absurdamnete moderno, decorado por uma das mais famosas empresas de arquitetura da Austrália. A sala de reuniões tinha um equipamento de video conferência tão moderno que até hoje, 4 anos depois, não vi igual em nenhuma empresa onde trabalhei, nem nos EUA.
O dinheiro abundava. A empresa estava crescendo e era a quinta maior no setor em toda a Austrália. O dono da empresa chegava cada dia para o trabalho em um carro diferente, às vezes um Porsche Targa, às vezes uma Mercedes SLE AMG. O mesmo pode se falar de sua esposa, minha chefe direta. Eles eram (e são) australianos e foram uma das melhores pessoas com quem trabalhei aqui na Austrália.
Naquele mesmo mês eles haviam fechado um contrato de representação exclusiva de um game para PS3/Xbox 360 que se tornara o game do ano em todo mundo. Tudo ia de vento em popa, mas eu, conhecendo o mercado em que trabalhava, sabia que apesar de que a empresa ia muito bem obrigado, o projeto para o qual eu fora contratado iria falir em menos de 6 meses. Pessoalmente eu poderia tê-lo mantido vivo por muito mais tempo para manter meu emprego, mas não achava ético deixar a empresa se dar mal e acabei sendo aquele que sempre apontava os problemas para ver se eles entendiam que não valia mais a pena colocar dinheiro em algo que já estava acabando em todo mundo.
Previsão cumprida. O projeto fechou e a empresa ainda foi extremamente decente de me manter fazendo nada até que eu arrumasse outro emprego, o que aconteceu em cerca de 3 semanas.
Mas apesar do fracasso deste projeto, a empresa não parava de crescer, mas em uma algumas reuniões que tive com o dono da empresa ele sempre falava da crise que estava por vir, isso cerca de um ano do GFC de 2008. Apresentava dados, mostrava sinais, dava dicas, levantava relatórios e se preparava muito bem para quando a crise chegasse.
Em 2008 veio a crise. Eu estava trabalhando como Account Manager em uma empresa de desenvolvimento de sites, uma das maiores da Austrália com mais de 5000 clientes, e um dos  donos da empresa, um economista por formação, também falava já alguns meses antes que poderiam haver cortes. E houve. Eu não fui cortado, pois 1 mês antes arrumei um emprego em uma empresa ainda maior e tinha pedido para sair, mas estava ainda lá no dia que eles mandaram pelo menos 25% do efetivo embora. Pessoas chorando, outras muito tristes, um cenário péssimo.
A crise não afetou tanto a Austrália como afetou outros países como os EUA, mas certamente afetou muito, mas muito mais do que afetara o Brasil por exemplo. 6 meses depois, lendo o jornal, descobri que a empresa de games onde eu trabalhei tinha falido e estava sendo liquidada. Fui pego de surpresa, afinal a empresa era uma das mais preparadas e estava crescendo como nunca.
Hoje, em 2012, vejo todo aquele cenário de 2007 se repetindo, mas com um diferencial. Muitas das empresas já estão se preparando para não serem pegas de surpresa. Em vários shoppings vejo lojas fechando. Dick Smith, uma das maiores empresas de eletrônicos aqui da Austrália está fechando lojas em todos os lugares. A Fitness First, a maior rede de academias da Austrália, e uma das maiores do mundo, mandou um email esta semana falando que vão fechar 24 de suas unidades só em New South Wales. Empresas já estão começando a enxugar o orçamento e muitos amigos que trabalham em bancos e no mercado financeiro estão começando a ter dor de estômago sem saber o que o futuro os reserva aqui.
Por que estou falando tudo isso. Para que pessoas que estejam planejando vir para a Austrália no final de 2012, começo de 2013 estejam preparadas para o cenário que possivelmente vão encontrar aqui no mercado de trabalho. Tudo vai melhorar depois de um tempo, mas final de 2012 até o meio de 2013 possivelmente ainda será um tanto incerto.
Acredito que empregos como garçom, cleaner, e outros do tipo não serão tão afetados, mas para quem vem esperando trabalhar em uma área específica como TI, finanças, administração por exemplo pode sofrer um impacto maior.
Mesmo o setor de construção, que vinha crescendo absurdamente nos últimos anos tem esfriado e comprometido até empregos em construção civil. O setor de mineração é um dos que ainda vem crescendo bastante e possui uma boa demanda de trabalhadores especializados.
Tenho uns amigos que já começaram a perder seus empregos, todos trabalham em grandes empresas aqui. Estas empresas, assim como fez a Fitness First, estão cortando tudo que não está dando dinheiro ou que pode ser encolhido.
Não é preciso ter medo, nem se desesperar, só precisa mesmo estar preparado. Quem é esperto vai se planejar melhor e fazer o máximo para evitar surpresas e tirar o melhor proveito de seu tempo aqui. Estas crises muitas vezes acabam também criando muitas oportunidades.
Muitas pessoas às vezes veem este tipo de post como pessimista. Não é. É apenas um alerta que o dono da agência de intercâmbio, ou o blog daquele cara que posta fotos na praia e na balada o dia inteiro não vai te falar.
Ano passado fiz um post dizendo como se preparar para vir para a Austrália e dizendo que até alguns brasileiros que chegam aqui como residentes às vezes tem dificuldade em conseguir o primeiro emprego, ficando às vezes, 3 meses, 6 meses, 1 ano, desempregados ou sem trabalhar na área. Lembro que em um destes posts um brasileiro que estava vindo pra cá me disse que eu estava sendo pessimista e não queria mais brasileiros vindo pra cá.
Este brasileiro veio pra cá e começou a contar na internet as maravilhas que era sua vida na Austrália. Fez isso no primeiro mês, no segundo, no terceiro começou a parar de falar no assunto e hoje, cerca de 6 meses depois fez um artigo enorme falando das dificuldades que tem enfrentado aqui, mesmo sendo residente, não consegue um emprego na sua área desde que chegou aqui, disse ainda que em 6 meses só conseguiu ser mandado 1 vez para entrevistas de emprego na empresa, o resto só nas agências de recrutamentos e está tendo que trabalhar em empregos que ele não esperava para poder se manter até conseguir um emprego na área.
Quer dizer que a vida de todo mundo aqui é assim? Claro que não. Mas é preciso tirar aquela ilusão de que chegar aqui como residente e com um diploma debaixo do braço é suficiente. Pra quem não é residente e pretende trabalhar na área então a situação pode ser mais complicada. Tem gente que consegue um sponsor, como já vi algumas vezes, tem gente que não. E isso não depende apenas de qualificação, pois já vi gente que mal terminou o ensino médio no Brasil, sem qualquer qualificação profissional, conseguir um sponsor. Assim como vi o oposto.
Desta forma ficam as dicas baseado no que vejo aqui na vida de muita gente que vem pra cá
Não acredite em promessas de emprego: Muita gente começa a aplicar para empregos ainda do Brasil e ouvem do recrutador que é para eles o procurarem quando estiverem por  aqui. A pessoa já anima e pensa que isso é uma porta aberta. Não é. Os recrutradores fazem isso com todo mundo. Assim também tem pessoas que garante que vão te conseguir um emprego quando você estiver aqui. Também não venham contando com isso. Tive vários amigos que chegaram aqui com a mesma oferta que não se concretizou. Eu mesmo tive algumas promessas no Brasil que não aconteceram quando cheguei aqui.  Quem quer mesmo te contratar te dá o sponsor. (teria muitos, mas muitos casos para contar sobre isso, depois posto aqui)
Estude: Estude inglês, estude o mercado de trabalho, estude as empresas, procure saber tudo sobre sua profissão antes de chegar aqui. Isso irá aumentar suas chances.
Residência: Se possível venha como residente. Se você tem as condições para aplicar para residência e só lhe falta o IELTS por exemplo, estude no Brasil e aplique do Brasil. Isso vai lhe poupar muita dor de cabeça.
Faça uma Faculdade: 95% dos cursos técnicos aqui na Austrália são um lixo que não servem pra nada. Os únicos cursos técnicos que conheço que são reconhecidos pelas empresas e podem lhe ajudar são o TAFE (que custas cerca de 12 a 18 mil dólares por ano para estrangeiros) e o Le Cordon Blue, um curso de chef de cozinha reconhecido internacionalmente. A grande maioria do que sobra só serve para você justificar seu visto de estudante. Já a maiora das faculdades vai lhe dar uma vantagem competitiva no mercado de trabalho.
Traga dinheiro: Não venha pra cá contando com o cenário de Alíce no País das Maravilhas logo no primeiro mês. Traga dinheiro suficiente para se manter por pelo menos 3 a 4 meses.
Melhor ou Pior: Esta semana estava numa festa de aniversário brasileira cheia de brasileiros, a maioria deles que se deu muito bem aqui ou já chegaram como residentes (pois é um grupo bem antigo já e quem estava ali já está aqui há pelo menos 5 anos). E comentando sobre casos de amigos, conhecidos  e sobre a vida aqui eu falei para o grupo: A Austrália ou é boa ou péssima para pessoa. Não tem meio termo. Ou a pessoa melhora muito a vida dela aqui ou se acaba, ninguém sai como veio. (isso sobre quem vem pra cá pensando em ficar aqui pra sempre). Todos concordaram comigo. Faça o máximo para que sua experiência aqui seja a melhor possível e você obtenha o melhor do que a Austrália tem para oferecer.
Junte-se com as Pessoas Certas: A Aniversariante, uma brasileira casada com outro brasileiro, que se deram muito bem aqui, chegaram como a maioria dos estudantes e hoje são residentes deu sua receita de sucesso, ela disse: O que fez a diferença na minha vida, além de Deus, foram as pessoas com que me relacionei aqui, que me motivaram a querer algo melhor e lutar por isso. Vendo elas crescerem nos impulsionou a querer o mesmo.
A Boa Notícia: A Austrália está bem melhor do que os EUA e todos os países da Europa, então se você esta pensando em morar fora a Austrália pode ser a melhor opção.

sábado, 2 de junho de 2012



Quando e a melhor hora de ir no Exterior:

Estudantes fazendo intercâmbio na Califórnia, Estados Unidos - Fonte: 32kelley.blogspot.com
A resposta dessa pergunta vai depender principalmente das pretensões do interessado em se aventurar em terras estrangeiras ou até mesmo de sua família, pois, nos dias de hoje as agências de intercâmbio oferecem programas em instituições de ensino no exterior para crianças com idade a partir dos 4 anos. Essa pouca idade pode parecer algo assustador para nós brasileiros, porém, em países estrangeiros é pratica comum, os pais mandarem seus filhos ainda crianças passarem as férias longe de suas casas.

Crianças cada vez mais novas estão viajando ao exterior para programas que integram diversão e aprendizado, divididos geralmente entre parques da Disney e aulas em escolas norte-americanas. Essas viagens costumam ser oferecidas em programas que contam com a presença da família da criança, ou somente com monitores muito bem treinados. Esses programas que podem durar de 2 a 8 semanas no período de recesso escolar, ajudam a introduzir a criança a um universo de uma nova cultura e um novo idioma enquanto ainda são bastante novos, facilitando seu aprendizado e até mesmo podendo os livrar do sotaque da língua nativa.

Os adolescentes ainda são o foco principal das agências e escolas, e isso não acontece à toa. A idade em que eles se encontram geralmente é bastante relacionada à transição entre a vida escolar e a vida profissional. Por isso, a experiência adquirida em uma temporada no exterior tende a beneficiá-los de diversas maneiras tanto em sua vida pessoal como na profissional. O ganho mais substancial constantemente adquirido por esses jovens é a de compreender que o mundo não é somente o seu quarto, seus amigos ou sua escola. Depois dessa experiência, os jovens costumam voltar mais responsáveis e independentes, preparados para se adequar a novas culturas, rotinas e pessoas. Para muitos especialistas, essa é a faixa etária ideal para se fazer um intercâmbio, pois, o jovem é desafiado pelo sentimento de insegurança, tanto pela parte do idioma, quanto pela distância e a ausência dos pais.
Entre 18 e 26 anos, pode se encontrar cursos no estilo au pair, que aliam estudo e trabalho, geralmente mais comum para garotas. Nesse tipo de programa o que normalmente ocorre é uma garota ser recebida em um país de língua estrangeira por uma família que tenha uma ou mais crianças, tendo como responsabilidade cuidar delas e da administração doméstica, recebendo moradia e uma bolsa de estudos. É uma boa oportunidade para jovens que almejam vivenciar um novo país, aprender ou reforçar outro idioma e trabalhar remuneradamente neste período.
Após os 18 anos e sem limite de idade, as agências costumam oferecer cursos de idiomas com duração entre 1 e 24 semanas com carga horária entre 15 e 40 horas semanais. Em algumas escolas o estudante pode trabalhar no regime semi-integral ou até mesmo integral, seja na própria instituição de ensino ou até mesmo fora dela. Essa variação na permissão de trabalho ocorre por obedecer a legislação do país em que se encontra a escola ou por regras estabelecidas pela própria instituição de ensino.