Que Paris é mágica, todo mundo sabe, que ela é o destino mais romântico e inspirador do mundo também. Repleta de qualidades e de deliciosos clichês, ela é uma metrópole charmosa, artística, antenada, criativa e por aí vai. Não é para menos que ela é o centro do país desde os tempos romanos. Por isso, ao chegar a dica é uma só: se perca na mais fotogênica das capitais.
Cidade de cenários e monumentos, ela também tem grandes áreas verdes, como Berlim e Londres, possui um sistema público tão eficiente quanto as outras duas, além de ter uma temperada mistura de imigrantes, que faz com que seja eclética em todos os sentidos.
PASSEIO CULTURAL
O crème de la crème de Paris está sem dúvida em seus ícones, Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Catedral de Notre-Dame, Champs-Elysées e a lista vai longe. Para ver alguns desses itens de uma vez, embarcar no Bateau Mouche e navegar pelo Sena é um bom começo. O passeio ajuda a dar uma visão geral e a se situar. Depois de deixar a embarcação e ter visto de uma maneira diferente como o centro da capital se organiza, saia caminhando pelas largas avenidas para conhecê-la de perto. Andando as margens do rio mais emblemático da Europa, não é preciso muito esforço para avistar a Torre Eiffel. Entrei na fila e em exatos 24 minutos já chegou a minha vez, mas enquanto esperava escutei mais de 6 idiomas diferentes e se não fosse a enorme construção quase ao lado, era bem capaz de achar que estava em outro país.
Dentro do elevador a vista já é incrível e quando se chega em cima então, melhor ainda. Do topo, a capital era perfeita como uma maquete. De volta ao chão, uma barraquinha logo em frente vendia crepes e alguns lanches rápidos. A escolha foi um cachorro quente e um refrigerante por €5,50. O atendente perguntou se eu queria mostarda, respondi que sim, inocentemente, na primeira mordida os olhos encheram de água e deu vontade de pular no rio. Era super picante, fica aí a dica: cuidado com a barraquinha de lanches embaixo da torre!
Algumas quadras dali, o monumental complexo Les Invalides fixa os olhares curiosos. Além do belo hotel que dá nome ao espaço e que possui uma majestosa cúpula dourada, é possível visitar o Musée de L´Armée, com um coleção completa sobre a história militar, o Musée de L´Ordre de la Libération , criado para homenagear atos heróicos durante a segunda guerra, e Plans-Reliefs, com uma coleção de miniaturas de fortes franceses. Do Les Invalides dá para esticar até o Musée d´Orsay, que de antiga estação ferroviária se transformou em um dos maiores acervos de arte do mundo. A maioria das obras expostas são quadros e esculturas dos séculos XVIII e XX, com destaques para Matisse, Renoir e Van Gogh. Em frente ao d´Orsay, mas do outro lado do Sena, a pirâmide não deixa ninguém na dúvida, ali está o Louvre.
Com apenas 9€ é possível entrar na história e conhecer o maior e um dos mais antigos museus do mundo. Havia tanta gente no hall, que parecia que o passeio seria marcado por uma série de esbarrões. Mas não foi isso que aconteceu, era possível passar por algumas alas sem encontrar ninguém. O agito estava mesmo na obra de Da Vinci, Monalisa, protegida por um vidro e cordões de segurança. Todo mundo tirando uma foto e aproveitando alguns sofás ali perto para sentar. Em apenas um dia é impossível ver o Louvre como ele merece ser visto, seria preciso semanas, meses até. Como tinha quatro horas para visitá-lo era importante priorizar. Foquei nas alas de pintura europeia, antiguidades egípcias e orientais. Como há museus para todos os gostos na capital francesa, para que o passeio não fique caro o ideal é adquirir o Paris Museum Pass, com preços que variam de 30 a 60 euros dependendo do número de dias.
Depois de visitar o Louvre com certeza bate um cansaço. O bacana é esperar o dia seguinte para continuar na rota cultural e ir até o Centre Pompidou. Moderno, com suas fachadas de vidro e as tubulações de água à mostra, ele contrasta com as construções antigas da vizinhança. Antes de entrar é impossível ficar indiferente aos artistas de rua que ficam na praça em frente, tentando mostrar seu trabalho e ganhar algumas moedas. O centro cultural abriga o Museu de Arte Moderna, uma biblioteca de três andares, que está entre as mais freqüentadas do mundo, além de cinemateca e uma ampla área de exposições.
Mudando de ares, o próximo passo pode ser a Catedral de Notre-Dame. Ao sair da estação de metrô Saint-Michel, já é possível ver uma das construções góticas mais exuberantes do mundo. Foram dois longos séculos de trabalho até que finalmente ficasse pronta. A catedral conta a própria história de Paris e testemunhou a coroação de Napoleão Bonaparte e o funeral de Charles de Gaulle. Um burburinho de turistas se acumula no interior da construção para fotografar, rezar, contemplar os 200 vitrais, as imensas abóbadas, as relíquias e as rosáceas, em que uma mostra a imagem da Virgem Maria e a outra de Jesus. A beleza da catedral fica ainda mais evidente quando se olha de fora, as margens do Sena ou quando se navega pelo rio e se avista a igreja estrategicamente posicionada na Ilê de la Cité , a ilha em forma de barco no coração de Paris.
De metrô até a praça Charles de Gaulle chega-se até o ícone triunfal construído a pedido de Napoleão para celebrar as vitórias militares. A obra se tornou um símbolo francês e o Arco do Triunfo famoso em todo mundo. Medindo 50 metros de altura e 45 de largura, ele é repleto de relevos e esculturas e na base há o túmulo de um soldado desconhecido, em memória aos mortos na primeira guerra. Todas as noites, veteranos voluntários acendem a chama da memória no exato local que o jovem foi enterrado. Dá para subir até plataforma panorâmica e ver as 12 avenidas que partem do arco e se espalham por toda a capital. Uma delas é a Champs-Elysées, que deixa Paris ainda mais irresistível.
HORA DE COMPRAR
Moda e Paris têm tudo em comum, não é para menos que a capital é naturalmente fashion e tentadora. Lojas e mais lojas salpicam a célebre avenida parisiense. A quantidade de restaurantes, cafés e jardins clássicos criam um ambiente ideal para passear e adquirir algumas coisinhas, tipo bolsas, sapatos e roupas. Mas isso é apenas para quem está disposto a pagar alto. O desfile das principais grifes mundiais é assistido por toda a via e se prolonga até a Praça da Concórdia.
Sofisticação à parte, a rua Faubourg Saint Honoré possui as maisons mais famosas do mundo, sendo um dos locais mais exclusivos na cidade. Por ali ainda é possível encontrar ateliês de consagrados estilistas. Se a intenção é alta costura, a Avenue Montaigne é uma boa opção, se é o endereço da moda prét-à-porter que interessa, o destino pode ser a Saint Germain dês Prés. Para visitar as melhores joalherias, a Place Vendôme vale o passeio.
Não dá para deixar de lado pelo menos uma olhada nas lojas de departamento, que reúnem quase tudo em um mesmo endereço. La Samaritaine , Printemps são algumas sugestões. Porém, a mais procurada é a Galeria Lafayette, que em 10 mil metros quadrados expõe de cosméticos a vestidos de noivas, de aparelhos eletrônicos a utilidades domésticas.
Para não gastar demais e ainda garimpar peças diferentes, o mercado de pulgas em Saint Ouen , que acontece aos finais de semana, é ótimo para comprar antiguidades e roupa de segunda mão.
GASTRONOMIA: A OITAVA ARTE
Assim como as compras, a gastronomia da capital é um capítulo especial. Há novos chefs criando, antigos aprimorando e juntos levam mais sabor a culinária francesa. As boas sugestões estão em cafés, nos bistrôs, nos restaurantes dos museus, dos palácios ou nas cozinhas menores perdidas em alguma viela. Não importa onde, comer bem em Paris é uma obrigação.
A alta gastronomia tem diversos representantes instalados na Champs-Elysées, como o Bristol, Chiberta, Copenhague, Lasserre, Meurice, Maree entre outros. A capital também tem uma série de restaurantes clássicos, de comida rápida, além dos mais conceituais. Para quem visita a cidade jantar no Altitude 95 ou no Jules Verne, ambos na Torre Eiffel, é uma boa dica. Com pressa e sem muitos euros na carteira, as barraquinhas de crepe são opções bem em conta. Caso esteja passeando pelo charmoso bairro Marais, o Le Loir dans la Théière , é o tipo de local que só quem mora na vizinhança conhece. A decoração faz o estilo bagunçado, com cadeiras diferentes e vários pôsteres e cartazes na parede. Da cozinha saem massas, saladas e sobremesas como a torta Tatin, acompanhada de sorvete de creme.
No quesito tradição, o La Tour d´Argent, o mais antigo de Paris e que tem fama de ser um dos mais lendários do mundo, é imbatível. Construído no século XVI e elaborado em estilo renascentista, ele conserva até hoje a decoração original.
É nesse restaurante que a receita de “pato ao sangue”, em francês “Caneton”, é servida. O prato é preparado pelo chefe no meio do chiquérrimo salão e ainda o cliente recebe um número referente ao seu pato, assim pode guardar de recordação e dizer que já comeu um autêntico Caneton.
GAY-FRIENDLY
Paris é descrita como aberta e que leva muito a sério os ideais marcados em sua bandeira. A cena gay tem um espaço importante para o turismo e novidades para esse público estão sempre pintando na capital. O bairro de Marais concentra a maioria dos bares, das lojas e dos restaurantes direcionados aos homossexuais. Além de ter os museus Picasso, Carnavalet e Pompidou, a região concentra a cena gay da cidade e enche de cor o resto da capital. Há centenas de endereços dedicados exclusivamente para quem quer curtir o dia e a noite. Para conhecer melhor o bairro, o passeio pode começar pela pelo Open Café, no cruzamento das ruas Des Archives e Saint Croix de la Bretonnerie. Nesse miolo, há o sex-shop IEM, que vende de tudo um pouco. Para jantar a dica pode ser o simpático Curieux Spaghetti ou tomar um vinho no bar B4. À noite pode ser aproveitada nas danceterias Full Metal, nos três andares da Bears´den e nas festas exclusivas do Le Dépôt. Já o público feminino prefere a região sul do bairro, no entorno da rua Roi de Sicile e Dês Ecouffes, com diversas lojas e bares. Cada um encontra o seu espaço em Paris.
Nenhum comentário:
Postar um comentário