Ai vai alguns depoimentos de pessoas que moram fora do pais:
Anita, do blog Greetings from Holland, está na Holanda desde 1999. Hoje mora numa village ao lado de Amsterdam, com sua alma gêmea holandesa que conheceu quando mochilava pelo país em 1998.A minha experiência é de que “Sim! Vale muito a pena morar no exterior”. Vai ser um ótimo exercício mental sair da sua zona de conforto, experimentar novos sabores, novos climas, ouvir novos acentos. Desligar-se de velhos hábitos, adquirir novos. Aprender a pronunciar sons que você não sabia que podia fazer. Se expressar verbalmente com um novo tipo de logica. Ver que o sol percorre outro caminho no céu, nunca ficando a pino. Ver que as pessoas nascem e morrem de outra maneira. Que muitos homens bonitos e bem sucedidos preferem ter como esposas mulheres nem bonitas, nem talentosas, nem amorosas. Conhecer um tipo de amizade, gentileza e reciprocidade que eu não sabia que existia. E uma rudeza e falta de solidariedade também. Sim, ir morar no exterior é como experimentar uma espécie de morte e começar uma nova vida. “Morte” que pode ser atenuada pela internet, voos ocasionais para o Brasil e um aipim ou feijão preto amigo encontrado em lojas asiáticas. Agora, se você gosta de ser monoglota e tem zero talento pra línguas estrangeiras, quer poder sempre ver seus antigos amigos, pais e familiares com facilidade, já tem um ótimo emprego/carreira, a-do-ra o clima quente e não liga para as mazelas politicas e sociais do Brasil… então, não. Não amigo. Não vale a pena morar no exterior. Nem por um segundo.
Carla mora em Milão e comanda o blog Sonhos na Itália.Na minha opinião toda mudança vale a pena. As mudanças proporcionam crescimento e conhecimento. Morar no exterior nos dá desafios únicos, importantes para o amadurecimento, autoconhecimento e bagagem. Afinal, chegar num país que não fala sua língua materna, não tem os mesmos costumes que o seu não é fácil. Uma maneira boa de avaliar é pensar: se eu não tivesse vindo como eu estaria? Provavelmente na mesma rotina do dia-a-dia. Vir morar no exterior traz muitas mudanças rápidas e importantes para nós. Nos faz valorizar nosso país, valorizar amigos e família por tanta falta que nos fazem, nos faz ir à luta e fazer coisas que talvez no próprio país não encararia, fora aprender outra língua, outros costumes e cultura. Quem tem coragem de deixar família, bens, amigos, tudo para trás e começar uma vida do zero com certeza tem outros valores. E a vida é isso. Aprendizado e crescimento contínuo.
Edu mora na cidade de La Coruña (España) há 7 anos, desde maio de 2004. Escreve vários blogs, entre eles o Edu Explica.Em muitas ocasiões, alguns amigos do Brasil me perguntaram se valia a pena morar em outro país. No começo eu dizia que sim. Afinal de contas, é uma experiência imperdível, etc.. Só que depois de um tempo, eu comecei a perceber que esta pergunta faltava uma informação importante: Vale a pena morar no exterior por um tempo ou de forma indefinida? Se a resposta é por um tempo (entre 3 meses 1 ano por exemplo), eu não pensaria 2 vezes e diria que sim. Lembrando sempre que para morar mais de 3 meses (pelo menos na Espanha), você tem que ter pelo menos um visto de estudante. Ficar 3 meses como turista e 9 como ilegal é furada, sem discussões. Agora se a pergunta é “vale a pena morar no exterior definitivamente?”. Sinceramente, esta pergunta não tem uma resposta exata. Pela minha experiência de 7 anos morando no exterior, eu acho que depende basicamente de 3 coisas: Sua capacidade de se “desligar” da vida, dos amigos e familiares no Brasil. Não se desligar totalmente, mas ter a consciência de que será capaz de viver sem a presença dos amigos e familiares em muitos natais, aniversários e outras datas especiais. Conseguir se adaptar aos costumes locais, principalmente desenvolvendo bem o idioma e por último, mas não menos importante: Ter uma boa pitada de “sorte” em conseguir um emprego que pague as contas, um lar com o mínimo de conforto e uma vida digna que compense a ruptura com o Brasil. Se você não cumpre com estes 3 pré-requisitos, acho que a possibilidade de viver feliz no exterior é pequena.
Karine vive na Irlanda, com seu marido irlandês e seus dois filhos. Uma família “half and half”! Escreve o blog ká entre nós.Eu sou uma pessoa mais prática do que sonhadora e depois de morar fora há alguns anos, seguindo esse padrão de raciocínio te digo que trocar o Brasil por outro país, para valer a pena, depende muito das condições que isso seria feito. Por exemplo, acho loucura se desfazer de bens como imóveis para se aventurar em terras estrangeiras, em qualquer continente esperando por um retorno financeiro que poucos, muito poucos conseguem. Então o que eu quero dizer é bem simples: Vale a pena, MUITO a pena morar fora se o objetivo é ampliar os horizontes, se especializar, adquirir conhecimento, aprender uma língua, se conhecer, conviver dentro de uma nova cultura. Acho que não vale a pena quando o objetivo principal é só e exclusivamente dinheiro e seu círculo de amizades é só de brasileiros. Pode parecer uma opinião “meio fria”, mas ela é baseada em fatos que vi e vivenciei durante esses anos morando na Irlanda. Eu sou do tipo que aprende com o erro dos outros e normalmente não pago pra ver.
Renato é um brasileiro que desde 2009 vive na Terra do Tio Sam, em Orlando.Outro dia vi uma frase interessante em um adesivo em um carro aqui nos EUA. “Home is where your heart is” (lar é onde o seu coração está). Se seu coração está no Brasil, é difícil viver em qualquer outro lugar e encará-lo como lar. Porém, se você não vê mais o Brasil como lar, como no meu caso, a inquietude do coração irá fazê-lo procurar um novo lugar e para mim, viver no exterior não era uma questão de valer a pena ou não. Era uma questão de encontrar um novo lar e quando cada um encontra o seu, seja lá onde for, supera-se os desafios e qualquer “pena” vale.
Já dizia o Pessoa que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Essa pergunta é tão pessoal, mas tão pessoal que não me atrevo a responder com 100% de segurança. Sou partidária de que devemos ser felizes, não importa onde. Conheço gente que tem a mesma rotina há anos, nunca saiu do Brasil e é feliz da vida! E gente que vive de viagem, pulando pra lá e pra cá que nunca consegue se encontrar! Se você quer experimentar novas culturas, conhecer novas pessoas, falar um novo idioma, e, principalmente, não tem medo de sofrer (de tudo, desde morrer de saudade até sentir o preconceito na própria pele) então o exterior é o seu lugar. Não é fácil construir uma nova vida longe dos “nossos”, muito menos na Europa. Claro que o quesito “sorte” também conta muito, o estar no lugar certo na hora certa, fazer amizades com os “locais” (a vezes mais que amizade!). Enfim, também opino que se todos nós temos a possibilidade de errar – e o direito de corrigir -, e se depois de morar no exterior você perceber que não está valendo a pena, sempre existe a possibilidade de voltar ao Brasil e recomeçar, não importa o que os outros digam.
Anatê mora na Aix-en-Provence, na França, e escreve o blog Persa Brasileiro na Provence.Conversando com dois amigos há muitos anos atrás um deles me disse que precisava se sentir enraizado e que não pretendia sair nunca de Brasília, o segundo que tinha asas e por isso mesmo sentia a necessidade de voar. O primeiro – depois de passar um tempo no Rio de Janeiro (que detestou) – continua na capital até hoje, o segundo levantou voo para São Paulo e dele nunca mais tive notícias. Acredito que quem cogita morar fora do Brasil, seja por um período mais ou menos longo, entra no segundo grupo. Seja para estudar, mudar de emprego, viver a aventura romântica de ter um estrangeiro como príncipe encantado ou simplesmente ver como o mundo funciona fora do seu quintal, é preciso ter asas. Por isso acho que a resposta para a pergunta que fazemos nesse post coletivo é sim, vale muito a pena não apenas morar no exterior, mas mudar: de bairro, de cidade, de emprego, de vida. A mudança é ainda mais espetacular quando atravessamos um oceano. E para isso vão ser necessárias duas coisas que acho extremamente difíceis, mas não impossíveis: cortar muitos laços (com parentes e amigos que não vai ver nunca mais, com os hábitos alimentares, com a facilidade de dominar uma língua que você fala desde criancinha, etc.) e reatar outros novos (principalmente com a cultura que se abre para você). A situação não é simples e exige pesquisa, planejamento, organização, uma boa poupança, trabalho, discernimento, perseverança, e muita, mas muita paciência mesmo. Mas se você tem asas, voe e faça do céu o seu limite. E quem sabe, um dia, vai criar raízes quando encontrar a sua casa, como eu.
Barbara já morou em diversos cantos do mundo, e conta todas as suas andanças no seu blog.Vale muito a pena morar no exterior! Vale a pena morar no exterior por um tempo, descobrir coisas novas, começar uma vida do zero, com todas as maravilhas e os desafios que essa aventura traz! Vale a pena pisar novas terras, respirar novos ares, provar novos sabores… Vale a pena sentir saudade – e valorizar mais o que tínhamos no Brasil… Vale a pena conhecer gente nova, aprender um novo idioma, estabelecer novas rotinas… Vale a pena abrir-se ao inesperado, ao desconhecido… Vale a pena ter essa experiência para então decidir qual é o teu lugar no mundo… se for no exterior, aventurar-se então a viver uma vida por lá para sempre! e se for no Brasil, voltar muito mais rico, com uma bagagem cultural e de vida que vai te fazer mais feliz no Brasil também!

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